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Transporte e Infraestrutura - Detalhes sobre essa informação
Título: Deficiências dos portos
Autor: Editorial do jornal Estado de São Paulo
Data: 28/08/2009
Link: http://www.estadao.com.br
Artigo:
Os recordes de movimentação de carga, registrados apesar da crise mundial por alguns dos principais portos - como os de Santos, Paranaguá, Rio Grande e Pecém -, escondem problemas graves que emergirão quando o comércio exterior se normalizar e prejudicarão ainda mais o já insuficiente sistema portuário brasileiro. Obras de modernização e de recuperação da infraestrutura dos grandes portos não estão sendo executadas na velocidade necessária para acompanhar o crescimento de suas operações, e portos menores que poderiam receber parte da carga destinada aos grandes ficaram fora dos programas oficiais de investimentos, entrando num processo de estagnação e decadência.

Com instalações sucateadas, por conta dos longos anos de abandono, alguns portos tiveram drástica redução na movimentação de cargas. Entre eles, como mostrou reportagem de Renée Pereira publicada no Estado do último domingo, estão os de Ilhéus (BA), Antonina (PR), Maceió (AL) e Cabedelo (PB). Ilhéus já foi um importante terminal regional e, se modernizado, poderia ser utilizado para determinados tipos de carga, que empresas distantes cerca de 200 quilômetros do porto baiano preferem exportar pelo Porto de Vitória (ES), bem mais distante e a um custo maior.

Além de projetar novos portos, o governo deveria esgotar toda a capacidade de expansão dos portos em operação, como ocorre no resto do mundo, disse o diretor executivo da Associação de Usuários dos Portos da Bahia, Paulo Villa. Sua opinião é corroborada por um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, segundo o qual, dos R$ 43 bilhões necessários para melhorar a eficiência operacional dos portos e dar-lhes maior competitividade, menos de 10%, ou R$ 4 bilhões, referem-se à construção de novos terminais. O restante deve ser aplicado na ampliação e recuperação das atuais áreas portuárias e na melhoria ou ampliação do acesso por terra, dragagens e modernização dos equipamentos operacionais.

Alguns portos que perderam cargas nos últimos anos tentam sobreviver com a atração de embarcações de turismo, como faz o de Maceió. Todos poderiam ser recuperados com investimentos na recuperação de suas instalações, na modernização de seus equipamentos e em obras de dragagem. Desse modo, eles poderiam expandir suas operações e aumentar a capacidade de movimentação de carga do sistema portuário nacional, como será necessário quando o comércio exterior se intensificar.

As obras de dragagem dos portos, destinadas a aumentar a profundidade de seus canais de acesso e, assim, permitir que recebam os navios de grande calado que hoje predominam no transporte internacional de mercadorias, têm sido citadas com frequência pelo governo como a prioridade da política de recuperação dos portos. O projeto de dragagem e recuperação dos portos foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas - como acontece com muitos projetos que fazem parte do PAC - as obras ou estão sendo executadas num ritmo lento demais, ou nem sequer foram iniciadas.

"Transcorridos quase dois anos, os resultados ainda são pífios", observou o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários, Wilen Manteli, em artigo publicado no Estado de sábado. "Há mais de uma década, seja por deficiências estruturais de gestão ou mesmo por desvios de finalidade na aplicação de recursos públicos e privados, as administrações portuárias têm falhado sistematicamente no seu compromisso de garantir boas condições de profundidade para o tráfego marítimo."

É calamitosa, segundo Manteli, a situação dos canais de acesso marítimo aos portos, "decorrente da crônica e injustificável postergação de operações de dragagem", o que leva à formação de filas de navios no mar. As filas tornam as embarcações vulneráveis à ação de piratas - foram 18 ataques em 18 meses, em Santos. Além de impor custos adicionais ao comércio marítimo, o aumento dos assaltos a navios que aguardam a atracação nos portos coloca em jogo a credibilidade do sistema portuário brasileiro, advertiu Manteli.
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