Com sua visibilidade ofuscada pela crise na economia em países da zona do euro e nos EUA, as ideias liberais voltam a ser predominantes, a partir de Porto Alegre, na segunda e terça-feira no prédio 41 da PUCRS, cenário do 25 Fórum da Liberdade. "Há uma necessidade de renascimento do pensamento liberal no mundo. O afastamento desse ideário é a causa da crise econômica atual", diz o presidente do Instituto de Estudos Liberais (IEE), advogado trabalhista Ricardo Gomes.
Na base da crise dos EUA, originada por créditos imobiliários de risco, está o Estado, afirma ele. "O governo obrigou bancos a direcionarem empréstimos a comunidades sem capacidade de pagamento", lembrou, destacando que os juros foram rebaixados para a compra de imóveis e incentivaram a formação dos créditos podres. "Foram criadas duas agências do governo para garantir o pagamento de hipotecas podres, mas nada fizeram. E há culpa também do setor privado, do mercado", observou.
Quanto à turbulência na zona do euro, Gomes avalia que o povo europeu paga caro agora, "como sempre pagou", em impostos. "É o custo do bem-estar social resultante da má administração do dinheiro público por governos", assinalou. Para ele, o pouco destaque ao liberalismo vem do sistema vigente. "Estamos em um socialismo de mercado, ou capitalismo de estado. É Bolsa-Família, bolsa emprego, bolsa empresa (BNDES)", afirmou, destacando que a Europa passou por isso e hoje quebrou. "Esse tipo de regime tem vida curta. O que o país adota contra a crise é a mesma fórmula norte-americana que agravou os problemas: estímulo ao consumo sem contrapartida em poupança. Sem poupança, o consumo é feito por endividamento e isso é alto risco", teorizou.
No 25 Fórum da Liberdade será lançada versão atualizada on-line, em português, do Índice de Liberdade Econômica 2012 Heritage, que classifica nações, principalmente, por sua carga de tributos e burocracia. O importante do Fórum, conforme Gomes, é o tema "2037: que Brasil será o seu?". Será o momento, conclui ele, de debater propostas de longo prazo, sem visão político-partidária, para temas como educação, corrupção, violência e empreendedorismo, entre outros.
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