Surfando em uma onda de otimismo após sobreviver de pé à crise financeira internacional, o Brasil ainda tem muito para avançar no desenvolvimento de suas instituições, apontou estudo divulgado ontem.
O Índice de Qualidade Institucional, organizado pela International Policy Network (IPN- Londres), mostrou que o país está na 98º posição entre os 191 países estudados.
Para chegar ao índice, a metodologia do IPN utiliza oito critérios, quatro que avaliam a liberdade econômica e quatro que medem as liberdades cívicas e políticas. Segundo o responsável pelo estudo, Martín Krause, diretor do Centro de Investigaciones de Instituiciones y Mercados de Argentina, a posição reflete a influência de problemas conhecidos dos brasileiros, como a alta carga de impostos e a corrupção. No critério que avalia a tributação, o Brasil está na 150ª posição entre as 200 nações avaliadas por este item. Krause também chamou a atenção para o fraco desempenho nas relações de trabalho.
– Acho que o Brasil, se tivesse mais qualidade institucional, poderia estar crescendo como a China. Me parece que o Brasil está perdendo oportunidades por causa das instituições – afirmou Krause.
No entanto, o país recupera algumas posições na competitividade econômica, onde ocupa a 56ª posição, índice que teve crescimento significativo nos últimos anos, avaliou o pesquisador. De 2008 para 2009, o Brasil caiu sete posições no ranking, mas o mau desempenho está relacionado ao ingresso de novos países que não estavam sendo avaliados até este ano. Em relação aos últimos anos, o comportamento do índice brasileiro é praticamente estável.
Para Leonardo Fração, presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), que em conjunto com o Instituto Liberdade promoveu a versão em português do ranking, lançada pela primeira vez neste ano, a posição do Brasil não surpreende.
– Não estamos em nível pior porque alguns países sul-americanos conseguiram piorar a qualidade institucional nos últimos anos. E o Brasil está indo no caminho dos piores – avaliou Fração.
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