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Livre Comércio - Detalhes sobre essa informação
Título: Fracasso do livre comércio
Autor: Por BJØRN LOMBORG *
Data: 24/08/2008
Link: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2135677.xml&template=3898.dwt&edition=10533§ion=1033
Artigo:
Tradução Grazielle Badke

Publicado no jornal Zero Hora

No mês passado, em Doha, fracassaram as negociações que prometiam um comércio mais livre, aparentemente por culpa de um pequeno detalhe técnico sobre normas de resguardo (salvaguarda). Na realidade, as negociações entraram em colapso porque ninguém, nem a Europa nem os EUA, nem China, nem Índia, nem os outros principais países em desenvolvimento, estavam dispostos a encarar o pequeno problema político de prejudicar agricultores ineficientes e mimadas indústrias nacionais em troca da criação de benefícios maiores a longo prazo para quase todo o mundo.

Na verdade, eles fracassaram porque nós não ligamos para o problema. Depois de alguns editoriais exasperados, o mundo praticamente abandonou o assunto e voltou para suas preocupações habituais. Isso é absurdo. Por um custo muito baixo, poderíamos melhorar a educação, as condições de saúde, a vida dos mais pobres, além de ajudar o mundo a encarar o futuro.

Há séculos sabemos que o livre comércio quase sempre beneficia ambas as partes. O economista David Ricardo observou, em 1817, que tanto a Grã-Bretanha quanto Portugal se beneficiariam se aproveitassem suas vantagens comparativas. Portugal poderia produzir vinho barato, enquanto a Grã-Bretanha roupas muito mais baratas do que vinhos. Vendendo roupas e comprando vinhos, a Grã-Bretanha obtém mais de ambos, da mesma forma que Portugal. O mesmo se aplica atualmente, quando os países, fazendo o que sabem fazer melhor, produzem mais e trocam por mais de outros produtos.

Apesar disso, com as negociações sobre o comércio paralisadas e o discurso protecionista em ascensão, estamos avançando para a criação de mais obstáculos para o comércio. Essas barreiras contam com o apoio de empresas egoístas, que não querem perder seus enormes benefícios, e são defendidas por políticos que temem que a redistribuição do emprego, da renda e da riqueza resultantes de um comércio mais livre.

Quando foi lançada a Rodada de Doha sobre o comércio, pouco depois do 11 de setembro de 2001, havia boa-vontade internacional, mas os resultados de uma pesquisa recente da Financial Times/Harris, nos EUA, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha, mostra que as pessoas estão três vezes mais inclinadas a dizer que a globalização é mais negativa do que positiva.

Recentemente, o projeto Consenso de Copenhague reuniu alguns dos principais economistas do mundo para decidir como fazer o melhor pelo planeta. O grupo de especialistas, integrado por cinco vencedores do prêmio Nobel, chegou a conclusão de que uma das melhores medidas que o planeta poderia adotar seria a de concluir as negociações de Doha. Eles basearam suas conclusões em uma nova pesquisa do economista australiano Kym Anderson, do Copenhague Consensus. Anderson mostrou que, se os países em desenvolvimento reduzirem suas tarifas aduaneiras na mesma proporção de países com grande renda e, além disso, liberalizassem seus serviços e investimentos, os ganhos globais anuais poderiam subir para US$ 120 bilhões, com US$ 17 bilhões indo para os países mais pobres por volta de 2015.

Quando as economias se abrirem, quando os países produzem aquilo que sabem fazer melhor, a competição e a inovação aumentam os índices de crescimento. Mais competição significa que empresas antes protegidas devem melhorar e serem mais produtivas. Ter economias mais abertas permite mais comércio e inovação, então novas empresas podem quase que instantaneamente aproveitar boas idéias de qualquer lugar do planeta.

Temos visto três casos muito claros desses aumentos de crescimento em três décadas diferentes. A Coréia do Sul liberalizou o comércio em 1965, Chile em 1974 e a Índia em 1991. Os três países tiveram na seqüência um aumento de vários pontos percentuais em suas taxas de crescimento.

É claro que existem custos. Comércio livre forçaria algumas empresas a reduzir suas plantas ou encerrar atividades, apesar de outras passarem por expansão e, para algumas pessoas e comunidades, a transição seria difícil. Ainda assim, os benefícios globais de uma bem-sucedida Rodada de Doha devem ser centenas de vezes maiores do que os custos.

É interessante comparar o ceticismo mundial sobre o livre comércio com o apoio de métodos caros e ineficientes da luta contra o aquecimento global. Muitos sustentam que devemos atuar, mesmo que não hajam benefícios nas próximas décadas, porque isso ajudará a reduzir as conseqüências do aquecimento global no final do século.

Mas o livre comércio também promete poucos benefícios imediatos e enormes benefícios no futuro. Além do mais, se pudéssemos acabar com o aquecimento global (o que não podemos) o benefício para as futuras gerações seria menor que uma décima parte do que ganharíamos com o livre comércio. O medo mundial sobre o comércio livre deixa o planeta sob o risco de perder os extraordinários benefícios que ele pode proporcionar. O livre comércio não é bom apenas para as grandes empresas ou para o crescimento do emprego. É pura e simplesmente bom.

* Bjorn Lomborg, autor dos livros O Ambientalista Cético e Cool It : Muita Calma Nessa Hora, é diretor do Copenhague Consensus Center e professor adjunto na Copenhague Business School.

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