Uma das bandeiras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ao longo das últimas duas décadas no Estado já não faz parte da agenda de reivindicações do movimento. Fechadas em 2009 após um acordo entre Ministério Público (MP) e governo do Estado, as escolas itinerantes, mantidas em acampamentos rurais, também saíram da pauta do atual secretário da Educação, Jose Clovis de Azevedo.
Ele chegou a anunciar, em abril do ano passado, a retomada do ensino que marchava com os acampados às margens das rodovias gaúchas. Na raiz dos fatores que contribuíram para o ocaso da ideia das escolas itinerantes está o acerto que provocou o fechamento dos nove colégios que funcionavam no Rio Grande do Sul. À época, a decisão gerou protestos do MST e motivou discussões do movimento com o autor do pedido de fechamento, o procurador Gilberto Thums. As alegações de Thums, acatadas pelo MP, eram de que as escolas seguiam um currículo próprio e de que não havia fiscalização da prestação de contas de algumas delas – os professores eram contratados por uma ONG ligada ao MST, que recebia verba da Sec.
Foco é assentar famílias, acabando com acampamentos
A defesa do método de ensino foi perdendo força nos últimos três anos. Com as escolas desativadas, famílias tiveram de desistir dos acampamentos para que as crianças pudessem retomar os estudos nas cidades de onde haviam saído. Os estudantes que ainda vivem acampados foram matriculados em escolas da rede estadual. Além disso, o foco da coordenação do MST agora é assentar as famílias que ainda não conseguiram um pedaço de terra, acabando com os acampamentos gaúchos dentro de pouco tempo. O deputado estadual Edegar Pretto (PT) confirma que o tema não faz mais parte da pauta principal do movimento.
– Por enquanto, não há uma disposição de reestruturar (as escolas) novamente – afirma.
Do lado do governo, o secretário Azevedo justifica o abandono da ideia de reviver as escolas itinerantes pela ausência de demanda de crianças acampadas.
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Reportagem de pedro.moreira@zerohora.com.br |