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Direito e Economia - Detalhes sobre essa informação
Título: Um erro duplo
Autor: por Ubiratan Iorio
Tipo: Economia
Data: 13/07/2009
Link: http://www.ubirataniorio.org/blog.htm
Artigo:
O governo está cometendo dois erros de uma só tacada. Um deles tem sido apontado por diversos economistas, mas o outro é identificado apenas por alguns. Em outras palavras, a maioria vê somente um equívoco, quando, na realidade, há dois.

O que muitos vêem, com inteira razão, é que a tentativa de enfrentar os efeitos da crise internacional mediante aumentos de gastos de custeio e pessoal é uma bomba-relógio que irá estourar já no próximo ano, mas cujos impactos serão maiores no mandato do presidente que for eleito em 2010. Isto é de uma obviedade ululante, que só economistas de formação deficiente ou políticos que só têm olhos para as eleições conseguem negar, porque políticas anticíclicas, se é que devem ser feitas, não devem sê-lo com gastos permanentes, como os de custeio e pessoal, mas com dispêndios transitórios – preferencialmente, com investimentos públicos em infraestrutura.

Mas o outro erro só é identificado pelos que sabem que políticas anticíclicas não resolvem! E que são tanto mais ineficazes quanto mais vezes forem repetidas pelos governos e, portanto, antecipadas pelos agentes econômicos, como demonstrou Robert Lucas em um brilhante artigo escrito no já longínquo ano de 1973, em que comparou os efeitos dessas políticas em 16 países. Lucas é um “novo clássico”, mas os economistas da Escola Austríaca já sabiam que políticas anticíclicas não prestam desde, pelo menos, 1912, ano em que Mises publicou a sua Teoria da Moeda e do Crédito. Para os austríacos, crises como a que o mundo vive hoje são provocadas por investimentos de mais e por poupanças de menos (e não pelo oposto, como pensam os de linhagem keynesiana).

Portanto, o melhor qualquer governo deve fazer durante elas é comportar-se como em um ciclone, ou seja, fechar bem as portas e janelas e reforçá-las. Aumentar gastos públicos equivale a escancará-las e, mais cedo ou mais tarde, com o final – que sempre acontece de forma natural – da crise, a conta aparecerá sob a forma de inflação e/ou de recrudescimento do desemprego.

Por isso, sustento que o governo brasileiro está cometendo um duplo equívoco, embora poucos o percebam. Como escreveu Bastiat , medidas de política econômica têm efeitos que podem ser vistos a olho nu (de curto prazo), mas também efeitos que, embora não sejam visíveis no momento, surgirão no futuro. Infelizmente, poucos são capazes de prevê-los...
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