O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, anunciou ontem, em nota, sua decisão de deixar o governo. Ele encaminhou à presidente Dilma Rousseff seu pedido de demissão "em caráter irrevogável". Segundo a nota, Nascimento se afasta para "colaborar espontaneamente para o esclarecimento cabal das suspeitas".
Ele também decidiu encaminhar requerimento à Procuradoria Geral da República pedindo a abertura de investigação e autorizando a quebra de seus sigilos bancário e fiscal. A nota também informa que Nascimento irá reassumir sua cadeira no Senado e a presidência nacional do PR.
Dilma já teria decidido demitir Nascimento. Antes de o comando do PR ir ao Planalto para ouvir o anúncio, Nascimento havia se antecipado e entregado a carta. A revelação sobre o crescimento espetacular no capital da empresa do filho do ministro dos Transportes, publicada ontem em um jornal do Rio de Janeiro, tornou insustentável a permanência do representante do PR no cargo. A avaliação foi feita no Palácio do Planalto e nas bancadas do PR no Congresso.
Um emissário do PR foi levar a Nascimento a decisão de antecipar a data do depoimento no Congresso. Ele, no entanto, estava desaparecido do ministério desde a manhã. À tarde, o ministro convocou Portela e Luciano Castro (PR-RR) à sede do partido para dar conhecimento aos deputados de sua decisão. Os senadores foram avisados quando estavam reunidos com Ideli e com o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, no Palácio do Planalto. "As denúncias atingiram minha família. Volto ao Senado para defender a mim e a minha família", disse Nascimento em telefonema ao líder do PR, senador Magno Malta (ES), ao avisar da carta de demissão.
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