| Sinopse: |
No Brasil, o crescimento econômico e a modernização sócio-política empreenderam o seu primeiro grande impulso, no curso do processo revolucionário dos anos trinta e do Estado Novo, segundo a matriz, consolidada na Colônia e no Império, do patrimonialismo ibérico: e a lógica do patrimonialismo consiste em que diferentes atores sociais extraem, da apropriação do Estado, todas as probabilidades de apropriação econômica que lhes permitem autodeterminar-se politicamente como classe dominante ou segmento desta. Contudo, personificado contemporaneamente pela aliança tecnoburocrático-militar que, desde 64, ocupa o Estado, o próprio êxito do patrimonialismo como via de crescimento econômico e de modernização sócio-política introduz um evidente sinergismo entre estatização econômica e autoritarismo político. Mas, ao mesmo tempo, um componente contraditório nas relações entre Estado e sociedade: de um lado, cria as condições estruturais de emergência de uma sociedade de classes autônomas e articuladas; de outro, em sua emergência e em seu esforço de autonomização, a sociedade de classes deve quebrar a resistência ativa do próprio Estado, fazendo-o ocupar uma posição mais modesta e discreta numa cena societária mais ampla e exuberante. |